quinta-feira, 3 de junho de 2010

POR PAULO ALCIDES ANDRADE

(...) Realmente somos mal remunerados, e nossas qualidades não são conhecidas da maioria para quem trabalhamos. Por isso a idéia negativa e desvalorizada vai crescendo. Mas de certa forma, nós mesmos somos os culpados. Permitimos que a imprensa faça o maior barulho quando acontece um desastre, e não divulguem as boas e belas realizações que executamos, e que sem dúvida são a grande maioria.
Na área das construções residenciais, especialmente nas de pequeno e médio porte, o proprietário para economizar os honorários de um engenheiro ou o gasto com um projeto, entrega sua construção a um mestre-de-obras, e se satisfaz em cumprir com a formalidade de planta aprovada na prefeitura, com um projetinho às vezes feito por um estudante ou estagiário. Para o CREA, se arranja com algum amigo ou parente.
Nesse particular eu me pergunto: por que qualquer cidadão não titubeia em pagar 5 ou 6% do valor total da compra de uma casa para um corretor de imóveis que não tem nenhuma responsabilidade pela segurança ou qualidade do imóvel, e regateia ou se nega a pagar honorários para um projeto cujo valor muitas vezes não atinge 2 ou 3% de apenas uma parcela do valor total da obra, apesar de envolver todas as responsabilidades pela segurança e pelas concepções estruturais?
Temos a tabela de honorários do Instituto de Engenharia, na qual tive uma pequena participação na parte de estruturas metálicas, mas que infelizmente poucos conhecem ou não a aplicam por não ter nenhuma força junto aos clientes, muito menos junto ao poder público ou a alguma organização representante da sociedade.
Não se discute quando um advogado cobra 20% ou mais sobre o valor da causa que defende. Os médicos cobram seus honorários junto a conta dos hospitais, sem o que dificilmente o paciente é liberado. Mesmo os nossos irmãos arquitetos em geral, conseguem que seus projetos sejam corretamente pagos pelo preço justo.
A meu ver, está faltando maior divulgação para uma melhor conscientização do valor da nossa profissão. Em outras palavras, está faltando um bom marketing da nossa engenharia. Faltando melhores divulgações das obras importantes e da contribuição do engenheiro para o êxito das mesmas. Está faltando maior popularização da nossa profissão e da idéia de que sem a boa tecnologia do engenheiro uma obra, qualquer que seja o setor, pode correr riscos de inseguranças, desperdícios ou patologias futuras.
Na área da engenharia de projetos, essa lacuna da desvalorização ainda se faz mais presente. Uma pequena prova disso é que, salvo raríssimas exceções, não se vê placas nas obras com o nome dos projetistas, sejam eles indivíduos ou empresas. Apenas aparece o nome da empresa construtora. Em geral vê-se placas do construtor, do incorporador, da imobiliária, da empresa de elevadores, das firmas de pintura ou revestimentos, dos decoradores, e de mais uma série de envolvidos na obra, sem dúvida cada uma delas, com sua importância, mas também procurando fazer o seu marketing. Do projetista porém, responsável pela segurança e estabilidade do edifício, não se faz nenhuma referência.
Alguém já viu alguma ponte com o nome do seu projetista junto as placas dos demais envolvidos na construção? Acredito que isso representa uma grande minoria. No máximo se coloca o nome do engenheiro numa ponte, como memória póstuma.
No meu entender, constar o nome do projetista e o seu respectivo CREA deveria ser obrigação legal. (...)

FONTE: http://www.brasilengenharia.com.br/opiniao545.htm

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